O impacto da MP do Agro para gerar mais inovação no campo

O Brasil é referência mundial em inovação tecnológica na agricultura tropical. O País passou de importador de alimentos para um dos maiores exportadores agrícolas mundiais. Para se ter uma ideia, o agronegócio responde por 21,4% do PIB nacional e gera cerca de 18 milhões de empregos, algo em torno de 20% dos postos de trabalho. Em 2019, suas exportações representaram 43,2% do total exportado pelo Brasil e, neste ano, o setor se prepara para colher a maior safra de grãos da história. O que já era bom tende a melhorar muito com a chamada MP do Agro, sancionada recentemente, proporcionando ainda mais inovação no campo e contribuindo de maneira expressiva para o crescimento do setor.

 

Impacto Positivo

 

Christian 1 BaixaA MP do Agro modernizará a política agrícola e fará ajustes e adequações importantes na criação de linhas de fomento, desburocratizando e ampliando o acesso ao crédito. “Ela afeta de forma positiva as operações jurídico comerciais do agronegócio e reduz a assimetria que costuma existir nas relações entre produtor rural e credor”, explica Christian Lohbauer, presidente executivo da CropLife Brasil, associação que reúne a experiência de diferentes segmentos que trabalham com pesquisa, desenvolvimento e inovação.

 

“A MP afeta de forma positiva as operações jurídico comerciais do agronegócio e reduz a assimetria que costuma existir nas relações entre produtor rural e credor”

 

Foto ClÁudio Hd Online 1Claudio Pinheiro, Coordenador do PENSA (Centro de Conhecimento em Agronegócios)/FIA, acredita que a nova medida expandirá o financiamento da produção via mercado de capitais. “Outra inovação trazida pela MP é a possibilidade de fracionamento do patrimônio rural a ser dado em garantia nas operações financeiras, além de outros benefícios, como o ´fundo de aval fraterno´, que pode ser criado entre grupos de produtores”, acrescenta. Segundo os executivos, a MP trata de fatores importantes de incentivo aos empreendimentos agrícolas e pecuários, e acelera a adoção de tecnologias por parte dos produtores rurais.

 

Campo high tech

 

O cenário de inovação no agronegócio é bastante promissor, especialmente se relacionado à Tecnologia da Informação e à Transformação Digital, que avança em diferentes setores do Agro. Atualmente, o desafio brasileiro é aumentar a produção agropecuária em 40% para suprir a demanda que vai surgir com uma população mundial de 9,8 bilhões de pessoas, prevista para 2050. A tecnologia no campo será fundamental.

 

 

“Outra inovação trazida pela MP é a possibilidade de fracionamento do patrimônio rural a ser dado em garantia nas operações financeiras, além de outros benefícios”

 

 

Drone View“O agronegócio terá de avançar na adoção de recursos oferecidos pela chamada agricultura 4.0., produzir mais com menos. Drones, sensores, softwares de gestão, internet das coisas, inteligência artificial, big data já são realidade no agronegócio”, diz Lohbauer. Ele tem como base um levantamento feito pela Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) que apontou que 67% das propriedades agrícolas brasileiras já adotaram alguma forma de inovação, dentro ou fora do campo. No entanto, uso de tecnologias e a cultura da inovação não estão distribuídos uniformemente entre os produtores.

Alguns setores são mais dinâmicos e capitalizados, com mais capacidade financeira e de gestão para absorção de tecnologias, que são apropriadas de forma distintas de acordo com o perfil do elo de cada cadeia produtiva (grãos, carnes, cana, café etc.). “Se analisarmos especificamente o elo da produção rural, temos mais de cinco milhões de propriedades rurais no Brasil, a imensa maioria formada por pequenos e médios produtores que pode, em princípio, ter mais dificuldades na absorção das tecnologias”, explica Pinheiro.

 

 AgTechs puxando a inovação no campo

 

Estudos apontam que existem mais de mil AgTechs no País atualmente e elas são fundamentais para o desenvolvimento do agronegócio, provendo soluções que aumentam a eficiência no uso dos fatores produtivos, no manejo e na comercialização da produção gerada no campo. “As AgTechs brasileiras, que estão entre as mais relevantes no mundo, têm apresentado tecnologias disruptivas que as tornam respeitadas. As soluções otimizam processos e tornam as empresas do agronegócio mais eficientes, produzindo impacto nas vendas e até mesmo nas relações com o consumidor final”, revela Lohbauer.

SoftwaresA Transformação Digital, com a utilização de dados e sua associação com os avanços do uso da inteligência artificial, deep learning, robótica, blockchain, entre outras aplicações é o que poderá viabilizar o aumento da produção de alimento no mundo de forma sustentável, pela maior eficiência no uso dos recursos produtivos. “São avanços tecnológicos fundamentais que deverão elevar a produtividade e a sustentabilidade da atividade rural, sem exaurir os recursos do planeta. O Brasil tem tudo para ser um dos grandes líderes globais neste processo”, ressalta Claudio.

 

Efeito Covid-19

 

O impacto da pandemia do Covid-19 deve atingir algumas cadeias produtivas, outras menos. Mas de forma geral, a produção de alimentos não vai parar, pois trata-se de um setor essencial da atividade humana. “Poderá haver deslocamentos na curva de consumo de diferentes produtos, mas, no geral, o setor do agronegócio será menos afetado”, explica Claudio.

As empresas do setor estão tomando todas as medidas cabíveis e possíveis para garantir a segurança dos trabalhadores nas unidades industriais, de beneficiamento, armazenamento e no campo. A CropLife Brasil está monitorando de perto o que acontece na cadeia produtiva de insumos destinados à produção agrícola.

Produção“Até o momento, o impacto para as empresas de defensivos químicos, biológicos, sementes e biotecnologia não é significativo. Não há registro no país de fábricas parando, falta de insumos básicos nem interrupção no fluxo de transporte. Portos e aeroportos permanecem abertos à importação de insumos e à exportação dos nossos produtos. A China, um de nossos maiores compradores, não deu sinais de que pode diminuir a demanda. Assim, nesse contexto, acredito que o agronegócio tem potencial para ajudar a economia brasileira a se recuperar mais rapidamente desta crise sem precedentes na história recente”, finaliza Lohbauer.

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