Missão mulher – ressignificar seu papel na sociedade, liderança, Criatividade e Inovação na Economia Colaborativa

Cinco profissionais multifacetadas e suas vozes diversas falaram sobre temas muito intimamente ligados às suas vidas: a ressignificação do papel da mulher na sociedade, liderança, criatividade e inovação na Economia Colaborativa; nos dias atuais e frente à pandemia do novo coronavírus. Em um bate-papo descontraído, que contou com a moderação de Mariana Winter, gerente de Estratégias e Parcerias da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) e fundadora do Capital Feminino, projeto voltado para o empoderamento e independência da mulher, que, junto com o Instituto Startups, assina a realização do encontro com apoio da Voicers, as participantes compartilharam sua visão de futuro e perspectivas para o cenário pós-pandêmico.

 

Ser multitalentos, criar e acolher

 

GabiGabi Paína abriu o debate e se apresentou como uma mulher Multitask apaixonada por gente. Já foi apresentadora de TV, modelo, dona de galeria de arte, babá, bartender, “e tudo o mais que a gente vai coletando para se transformar em alguém que tenha algo a compartilhar”, diz a fundadora do portal de qualidade de vida Namu, que há mais de sete anos oferece curadoria de conteúdo sobre saúde e bem-estar, yoga, pilates, alimentação saudável, mindfulness, dentre outros voltados para ampliação da consciência e vida equilibrada.

A executiva acostumada a transpor fronteiras e viajar o mundo em busca de autoconhecimento e práticas investigativas em prol da alma humana, foi além da plataforma. Prestes a lançar o app Namu e exercendo a “profissão mais hardcore que existe”, como definiu a desafiadora maternidade,  lançou um livro beneficente. ”Acabo de parir o Relatos Maternos e nele dou voz a 43 mulheres de todas etnias e classes sociais que contam as dores e as delícias da maternidade. Nunca conseguiria fazer um livro tão potente sozinha”, conta a autora que reverterá a renda do e-book para a arrecadação Cure a Marina (ação para ajudar uma criança que luta contra o tempo para angariar uma soma milionária e ter a chance de um tratamento contra Atrofia Muscular Espinhal; história que sua mãe conta na obra).

Liderança com aura feminina; uma parceria de sucesso entre puro poder e empatia

 

MarianaA moderadora do tema, Mariana Winter, lembra que todos os dias nos deparamos com coisas a serem transformadas no mundo e perguntou às convidadas a opinião sobre o papel das novas lideranças. “Mais do que nunca, o novo líder é uma pessoa aberta a aprender e desaprender, que serve, cuida do próximo e se comunica de forma transparente, diz Roberta Vasconcellos, CEO e Co-fundadora do BeerOrCoffee, uma plataforma que encontra o escritório sob medida para empresas ao redor do Brasil, com uma rede de mais de 1000 espaços em 150 cidades do Brasil.

Roberta“O papel do líder é conseguir unir as pessoas em torno de um propósito. Quando estamos aqui juntas falando de um tema, ele ecoa muito mais”, explica a mineira de 32 anos, que atua há mais de uma década com Startups, entrou para a lista “30 abaixo de 30”, da Forbes Brasil (que elenca jovens visionários brasileiros abaixo dos 30 anos), representou o nosso País no Young Leaders of the Americas (programa do governo americano para potencializar empreendimentos na América Latina e Caribe) e, atualmente, faz parte do Global Shapers, uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial.

“Não acho que se deve esperar o momento certo para o sucesso, sou mais adepta de fazer o momento certo chegar”, complementa a executiva, já focada junto à equipe de 60 pessoas trabalhando, remotamente, no plano de volta aos espaços de trabalho pós-isolamento de forma consciente. Em parceria com uma empresa referência em Saúde e Segurança no Trabalho criaram uma certificação que reduz riscos de contaminação pelo novo coronavírus.

“A maneira como você usa seu tempo diz muito sobre quem você é”, conclui a empreendedora, que concorda com o ponto central do livro que recomenda: “Indistractable” (Indistraível, em livre tradução), escrito por Nir Eyal (mestre em Design Comportamental, disciplina que lecionou na Faculdade de Pós-Graduação em Administração da Stanford) que trata de como evitar o que tira o foco rumo ao que é importante. A interseção entre a psicologia, tecnologia e os negócios é tema recorrente do autor, que na obra anterior, Hooked, mostrou como engajar o público nas plataformas digitais e no novo best-seller faz o inverso; ensina desconectar; driblar algoritmos e as redes sociais.

Vanessa”Todos nós fomos pegos de surpresa, tivemos que nos adaptar à rotina de trabalho home office com a família toda em casa, a vida mudou de um dia para o outro e definir prioridades foi determinante para retomar o ritmo”, diz a comunicadora Vanessa Palazzi, que em outros momentos da vida se viu desafiada a ir além de fazer mudanças e conta: “já tive que me reinventar como mulher quando me divorciei. Foi quando comecei a compartilhar minha história, minha dor, tudo o que acontecia comigo, inclusive minha superação. Acredito que mostrar o meu jeito de ser de forma tão autêntica e ter canalizado o que sentia para a criação de algo que me dá muito prazer e faço com dedicação é a razão dessa trajetória de conexão tão intensa e bem-sucedida  com o público feminino”.

Com a experiência de mulher polivalente que fez de crises oportunidades, a jornalista, advogada, assessora política e de comunicação na Assembleia Legislativa (SP) há mais de 25 anos, além de empresária, influenciadora digital, criadora do Mulheres de Quarenta (que em rede reúne quase 700 mil seguidores) e mãe de duas filhas, falou sobre o desafio de dividir o tempo, esforços e talentos: ”o papel da mulher é muito importante. Seu sucesso não vem da competição. Vem da persistência; de não abandonar sonhos. Nesses nove anos aprendi com o Mulher de Quarenta que fazer parcerias com pessoas que possuem talentos diferentes dos seus é fundamental para alcançar objetivos”.

Potência feminina e as contribuições para o futuro que bate à nossa porta hoje, antecipado

 O biólogo Átila Iamarino, que além de doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo se apresenta para milhões de seguidores no canal Nerdologia, declarou, recentemente, em entrevista à BBC Brasil: “mudanças que o mundo levaria décadas para implementar, voluntariamente, teremos que implementar no susto, em meses”.

LigiaFalar do porvir é assunto para Lígia Zotini; uma mulher, literalmente, à frente de seu tempo. “Pesquiso cenários futuros, por meio da plataforma Voicers; ecossistema de educação e pesquisa cujo objetivo é mostrar o melhor da tecnologia com o melhor do humano”, explica a, além de futurista brasileira, futura mãe (Lígia Zotini, assim como a moderadora da live, Mariana Winter, está grávida).

Ambas as profissionais vivenciam um período que em si é símbolo de criação feminina, transformação e evolução. Juntas, gestaram o encontro de mulheres líderes. Falando do rito de passagem marcado por profundas mudanças físicas e emocionais, em meio a uma pandemia, com desafios impostos para todas e todos, sem exceção, as participantes convergem em debate para uma reflexão inevitável; pensar como será o mundo pós-pandemia.

Mariana Winter reforça a importância da troca de saberes e possibilidades nesse momento de reconstrução e recriação coletiva do modo de vida em sociedade híbrida, do elo entre humanos e máquinas, sob um prisma positivo: “cada uma de vocês, cada ser, traz um mundo diferente dentro de si para contribuir com a nova realidade. A luz só surge na escuridão. Acredito que vem uma luz muito intensa por aí; para quem estiver disposto a olhar, observar e crescer. Soluções muito interessantes já estão chegando”, complementa a moderadora.

Amy Webb, futurista internacional e professora da Escola de Negócios da Universidade de Nova York, já se perguntou a mesma coisa e disse dias atrás: “a vida depois do vírus será diferente”. As convidadas concordam que haverá muito trabalho pela frente, mas que valores como empatia, solidariedade e responsabilidade social, aliados às novas tecnologias, devem alterar o status quo.

“Poder não é aquele usado para impor algo, mas aquele que facilita coisas, acho que isso é muito a característica de qualquer liderança feminina. Vivemos um momento em que o arquétipo feminino vai ser cada vez mais solicitado. Se treinamos as máquinas para fazer a parte de operação, planejamento e execução, os humanos vão ser convidados a ter mais acolhimento, empatia e network”, ratifica a curadora de tendências Lígia Zotini.

Lembrando de onde saímos e pensando para onde vamos, a criadora da Voicers diz: “com a chegada da internet para usuários domésticos pouco antes da virada do milênio e a massificação dos celulares inteligentes a partir de 2012, ganhamos repertório de educação e acesso ao compartilhamento de muitas visões de mundo que abriram espaço para a diversidade. O modo comando e controle de liderar deu lugar às lideranças sinárquicas; que evidenciam e legitimam as mais bem preparadas. Sonho com o dia em que cada versão inédita de ser humano se agrupará segundo uma questão de frequência e visão de mundo, tempo de lideranças que irão da inspiração para ação”, conclui.

A citação do escritor Carlos Torres feita na plataforma Voicers, traduz a atmosfera desse encontro de mulheres únicas; “compartilhar não significa somente olhar um para o outro, significa olhar juntos e na mesma direção”; um bom jeito de homens e mulheres chegarem ao futuro plural de cenários desejáveis. Com força total, somando polaridades, mais equilibrados, colaborativos, realizados e sustentáveis; cocriadores e protagonistas de suas histórias em um novo mundo.

Assista ao painel na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=1SzdZAn2Q4U&t=1168s

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