Fintechzar as empresas para bancarizar as pessoas

Empresas de todos os setores estão trabalhando para oferecer serviços financeiros às pessoas por dois motivos principais. Os gargalos no sistema são enormes para atender um número considerável de brasileiros excluídos do sistema financeiro. E a possibilidade de massivo retorno que isso pode gerar em um futuro talvez bem próximo. Esse foi o assunto da discussão “Fintechzação e omnicanalidade” do IX Conference 2020, mediado por Vitor Magnani, presidente da ABO2O.

A 99 é uma das empresas que está apostando na sua solução financeira. O 99Pay surge para reduzir o número de transações em dinheiro. “Aproximadamente 70% de todas as corridas da 99 são pagas em dinheiro. Esse tipo de transação é o pior possível tanto para passageiros e motoristas quanto para nós. A nossa plataforma de pagamento digital vai alcançar principalmente as pessoas não bancarizadas. A partir daquele momento, que ela recebe a conta digital, é um passo para a bancarização”, explica Pedro Guerra, head de Operações e Crescimento da 99Pay.

A principal aposta da 99 é na adesão de motoristas, que recebem, além da conta digital, um cartão para uso na economia real. “Os dados que vêm dessas transações vão nos permitir entender os padrões de consumo e ofertar crédito e diversos outros produtos”, conta Guerra.

Rafael Lavezzo, CRO da Zoop, diz que o usuário foi muito mal assistido ou não assistido na integralidade pelo mercado tradicional, o que abriu espaço para novos players nascidos já dentro do sistema financeiro ou para empresas de outro setor, mas que são capazes de oferecer os serviços. “Assim, emergiram as fintechs e as empresas de varejo que criaram suas fintechs. O mercado nacional estava consumindo produtos empurrados goela abaixo. O que acontece agora é que trouxemos, de fato, as necessidades do cliente final e em vez de focar no produto”, afirma Lavezzo.

Mulheres de baixa renda

Maria Isabel Antonini, CFO e head de desenvolvimento de negócios da Singu, conta como sua empresa expandiu sua atuação identificando exatamente esses buracos deixados pelo sistema financeiro tradicional. “Não era a ideia ser uma fintech desde o início. Nós somos, na origem, um marketplace de produtos de beleza e bem estar. Estudando as nossas profissionais, vimos que elas não tinham acesso ao sistema financeiro nacional porque na maioria é autônoma e de classes sociais mais baixas, sem acesso ao sistema de crédito tradicional.

Para colocar essas empreendedoras no jogo, a Singu apostou primeiramente na antecipação de recebíveis. A gente viu a necessidade latente de ter fluxo de caixa porque essa mulher trabalha hoje e recebe apenas no final do mês. Nós passamos a pagá-la no mesmo dia e gerar fluxo de caixa. Pelo aplicativo, eu sei a trajetória dela e, portanto, tenho métricas que permitem ranqueá-la para oferta de crédito”, detalha Maria Isabel.

Alex Barreto, diretor jurídico, de Compliance e Regulação do banQi, fala sobre como a sua empresa ajudou a Via Varejo a digitalizar o carnê, reduzir a necessidade de deslocamento das pessoas e, mais do que isso, ajudar no processo de utilização do vasto banco de dados da empresa. “A Via Varejo tem um banco de dados de milhões de CPFs. Só no ano passado foram 21 milhões de CPFs novos. Se tem esses dados dentro de casa, é possível fazer novas conversões a um preço muito baixo”, avalia Barreto.

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