Cidades mil: o novo conceito criado pela Unesco para a cidade do futuro

A Unesco lançou em 2018 o termo Cidades Mil para englobar todas as inovações que uma cidade pode receber e facilitar a vida do cidadão, tornand0-a mais sustentável e feliz. Felipe Chibás, especialista Latam do Núcleo de Cidades Inteligentes e CAPMIL da Unesco, autor do livro “Das cidades inteligentes às cidades mil”, fala que o conceito não exclui os que o antecederam, como das cidades sustentáveis ou inteligentes, mas agrega a todos.

Cidades como Kingston, na Jamaica, Roma, na Itália, e Paris, na França, já aderem ao novo conceito. Entre os desafios das cidades mil está o combate à desinformação. “Hoje, temos muitas fake news e o problema da infodemia. E a falta de informação ou as desinformações podem levar à morte de muitas pessoas. Na cidade mil, não é preciso só operar a informação para que ela chegue a todas as classes, mas diminuir a informação incorreta e maliciosa”, explica Chibás.

O painel “Das cidades inteligentes às cidades mil”, da IX Conferece 2020, foi mediado por Lilian Lima, relações institucionais na 99/Didi Chuxing e líder do Comitê de Mobilidade Urbana da ABO2O. Ela instigou os participantes a extrapolar os assuntos relacionados às novas tecnologias para as cidades e entrar em conceitos mais profundos, que antecedem a aplicação ou não de novas tecnologias.

5º revolução industrial?

Para Carlos Piazza, Futurista e Darwinista Digital, a quinta revolução já é realidade e leva as pessoas a pensar o retorno do homem à condição humana. Ele explica. “A tecnologia, enfim, está jogando o ser humano para a posição da qual ele nunca deveria ter saído. Os humanos se acostumaram a se comparar com máquinas comuns. Hoje, com o avanço da tecnologia, estamos voltando a fazer o que fazemos de melhor, a análise da ambiguidade e o exercício do pensamento crítico, que é próprio do homem”.

Piazza não deixa de ressaltar, porém, o potencial negativo das novas tecnologias. “Tem coisas ruins relacionadas à sociedade de controle ou à infodemia, que não são exatamente novas. Mas o capitalismo de vigilância e o super consumo podem desaparecer nas novas cidades com a substituição de algumas práticas e a criação de cidades voltadas para a satisfação humana”, acredita.

Sustentabilidade

Amir Hernandez Musleh, sócio-diretor da ECRA Engenharia em Sustentabilidade Urbana, destaca que, hoje, ao tratar de arquitetura e urbanismo, não é mais questão de saber o que o homem pode fazer, “a gente se pergunta se deveria fazer. As cidades não podem se dar ao luxo de perder nem mais 1 metro quadrado. Elas precisam usar esses espaços para gerar qualidade de vida aos seres humanos. As cidades precisam de ar, de umidade e para criar infraestrutura para isso não é preciso demolir casas”, avalia.

Ele menciona que a cidade de São Paulo tem 607 quilômetros quadrados de lajes, o que representa quase 350 parques do Ibirapuera. “O que isso pode gerar? Energia, água quente, retenção de água para consumo doméstico e até produção de alimento”, detalha Musleh.

A curiosidade transformadora

Para Ian Macdonald, consultor e facilitador da Cognitive Edge, não é possível construir cidades disruptivas nesse nível sem que o homem volte à sua condição inicial, de curiosidade absoluta e a necessidade de transformação. “É preciso instigar no homem novamente àquela curiosidade. As redes sociais nos levaram a um erro básico, de sempre procurar o similar a nós, só procurar coisas que nos interessem diretamente. Isso reduz a capacidade cognitiva porque não nos força a ampliar a nossa visão”, explica Macdonald.

Para a construção das cidades mil, integrando as soluções de arquitetura, infraestrutura, sustentabilidade, entre outras, é preciso, portanto, que o homem deixe de entender que a cidade é aquela com a qual ele se acostumou. E mais, que há muito mais nas relações humanas do que pode sugerir nossos hábitos voltados ao consumo e às facilidades que as cidades modernas nos acostumaram.

 

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